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Crise de saúde mental nas empresas: o custo invisível que já virou conta alta

Dra Graziele Cabral
Dra Graziele Cabral
Direito do Trabalho
26 Fev 2026
A crise de saúde mental deixou de ser um tema restrito aos consultórios e passou a ocupar o centro das discussões organizacionais. Não se trata apenas de uma questão emocional individual, mas de ambiente, rotina, cultura e modelo de gestão.
Crise de saúde mental nas empresas: o custo invisível que já virou conta alta

A crise de saúde mental deixou de ser um tema restrito aos consultórios e passou a ocupar o centro das discussões organizacionais. Não se trata apenas de uma questão emocional individual, mas de ambiente, rotina, cultura e modelo de gestão. A forma como metas são estruturadas, como lideranças conduzem equipes e como conflitos são tratados influencia diretamente decisões, produtividade, clima organizacional e até a reputação da empresa. Ignorar esse cenário não elimina o problema, apenas transfere o custo para outro setor.

Os números revelam que essa conta já chegou. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, representando um salto expressivo em relação a 2023. Grande parte desses casos está associada a ambientes corporativos marcados por pressão excessiva, sobrecarga constante, metas desorganizadas e ausência de preparo das lideranças. O impacto vai além dos afastamentos formais: ele aparece no turnover elevado, na queda de desempenho e em decisões precipitadas tomadas sob estresse contínuo.

Com a atualização da NR-01, os riscos psicossociais passaram a integrar formalmente o Plano de Gerenciamento de Riscos. Isso significa que fatores como assédio, sobrecarga e burnout deixam de ser vistos apenas como problemas comportamentais e passam a ser tratados como riscos organizacionais que devem ser identificados, avaliados e mitigados. A partir de maio de 2026, a fiscalização contará com possibilidade real de sanções, tornando a omissão não apenas imprudente, mas juridicamente arriscada.

Diante desse cenário, não basta apostar em campanhas pontuais ou ações simbólicas. A gestão eficaz da saúde mental exige mapeamento real de riscos, integração do tema à governança corporativa, formação consistente de lideranças e revisão de metas incompatíveis com a realidade operacional. Saúde mental não é benefício acessório, é fundamento estratégico. Ambientes emocionalmente desorganizados custam caro, e a legislação não exige perfeição, mas responsabilidade estruturada e contínua.

Autoria de Graziele Cabral por WMB Marketing Digital

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